Igreja de Nª Sª dos MÁRTIRES

     A Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, cuja construção remete até ao século XVI, serve a paróquia deste 1755, ano em que ruiu a Igreja de Santiago, que se situava no interior do Castelo.

     O aspeto atual da igreja provém das grandes obras de remodelação dos finais do século XVIII conduzidas pelo arquiteto João Lopes do Rosário, e encomendadas por Lopo Mendes de Oliveira, Comendador da Ordem de Cristo e alcaide-mor de Castro Marim, e das obras realizadas após o incêndio de 1960 que destruiu o retábulo-mor, dois quadros com pinturas a óleo, o púlpito, o órgão, a cobertura, os arquivos, entre outras dependências. 

     De estilo renascentista, barroco e neomanuelino, a Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, de planta longitudinal, é composta por uma nave única precedida por um guarda-vento, cruzeiro, transepto saliente, capela-mor e capela batismal, para além das demais dependências que se organizam em torno da Igreja.

     A nave principal, coberta por uma abobada a três panos, apresenta ao centro, do lado direito uma porta que dá acesso á galilé encimada por uma janela, e do lado esquerdo uma pintura a óleo da Nossa Senhora da Conceição. Entre estes e o arco triunfal abrem-se dois nichos contendo as imagens escultóricas de Cristo carregando a Cruz e de Nossa Senhora da Encarnação.

     O cruzeiro, de planta quadrangular, é iluminado pelo zimbório que ostenta oito janelas e é encimado por uma cúpula emoldurada e terminada em falsa lanterna, que um fogaréu coroa. Nas extremidades dos braços do transepto foram construídos dois retábulos laterais feitos de madeira e datados de cerca de 1834, muito idênticos entre si.

     A capela-mor, coberta por uma abobada de lunetas, é iluminada por quatro óculos ovais com gradeamento cruzado diagonalmente. Na parede fundeira encontramos o retábulo-mor, com a imagem de Nª Sª dos Mártires dentro de um trono arquitetónico envidraçado delimitado por um coroamento em estrutura de volta perfeita assente em duas colunas de mármore com capitéis coríntios.

     A capela Batismal, que se encontra a sul junto á entrada da nave, é um espaço quadrangular com pia batismal e imagem de pedra do Arcanjo São Gabriel.

Nossa Senhora dos Mártires
Nossa Senhora dos Mártires

Primeiro quartel do Séc. XVI

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Nossa Senhora do Rosário
Nossa Senhora do Rosário

Século XVIII

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Santa Luzia
Santa Luzia

Século XVIII

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Nossa Senhora dos Mártires
Nossa Senhora dos Mártires

Primeiro quartel do Séc. XVI

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     Exteriormente, a Igreja caracteriza-se pela sua simplicidade. A fachada principal pode ser dividida em três corpos, o central e dois laterais. No central encontra-se a porta principal, de arco reto e moldurada em cantaria sobrepujada por um frontão de laços com um tímpano triangular. Por de cima desta existe um janelão retangular gradeado com moldura em cantaria e frontão triangular, sobrepujado por um relógio circular. Esta zona que corresponde á nave e que é coberta por um telhado a duas águas, termina em empena angular com uma cruz de ferro. Os corpos laterais, idênticos e separados do central por meio de pilastras falsas, são compostos por uma porta de arco reto e moldura de cantaria, sobrepujada por um janelão. A cobertura é feita com telhado de quatro águas.

     A fachada lateral virada a sul apresenta uma galilé com cinco arcos de volta perfeita, sustentados em pequenas colunas de pedra com capitéis pseudomanuelinos, tudo encimado por uma platibanda moderna, recortada com cruzes de Cristo. Aqui encontra-se um painel de azulejos azuis e brancos, representando a Nossa Senhora da Conceição. Junto ao transepto, desenvolve-se a torre sineira, estrutura quadrangular com quatro vãos de arco de volta perfeita, terminado em cúpula cónica com cata-vento no topo.

Rita Dias Esteves, 2020

Bibliografia Específica:

  • MOREIRA, Maria da Conceição, “Povoamento, Construção. Habitação” in Apontamentos Históricos sobre Castro Marim. Lisboa: Secretaria do Estado do Ordenamento e Ambiente (serviço nacional de parques, reservas e património paisagístico), 1978.

  • CAVACO, Hugo, ‘Visitações’ da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio. VRSA: Edição da Câmara Municipal de Viça Real de Santo António, 1987

  • LAMEIRA, Francisco, Inventário Artístico do Algarve. A talha e a imaginária. Volume 6 – Concelho de Castro Marim. Faro: Secretaria de Estado da Cultura, Delegação Regional do Algarve, 1991.

  • ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, página 191-92. Lisboa: Reader’s Digest, 2º Edição, 1982.