CASTELO DE CASTRO MARIM

     O valor estratégico de Castro Marim, que tinha contacto fácil com o oceano, através do rio Guadiana, e a “curta distância à terra dos Mouros e dos Espanhóis, mereceu a atenção dos monarcas portugueses que aqui estabeleceram uma das fortalezas chaves de todo o reino”.

     Possivelmente de origem remota, havendo a hipótese de ter existido neste local uma fortaleza do período romano e/ou árabe, as primeiras obras sob o domínio cristão iniciaram-se no reinado de D. Afonso III que, em 1274, manda edificar ou reconstruir o «Castelo Velho» ou «Castelejo».

     O seu sucessor, D. Dinis, dá início, em Julho de 1279, à construção da Cerca da Vila (Cerca Vilã). Esta estrutura, que estava diretamente ligada ás muralhas do «Castelo Velho», permitiu reforçar a defesa de possíveis ataques e proteger e abrigar os habitantes que então se tinham instalado naquela colina.

     Campanhas manuelinas, ainda em vias de conclusão no início do século XVI, conforme as gravuras de Duarte de Armas, conferiram ao «Castelo Velho» o aspeto atual.

     Segundo estas gravuras, publicadas no Livro das Fortalezas de 1509-10, o «Castelo Velho», de planta quadrangular reforçada nos cantos por torreões cilíndricos encimados por coruchéus, comunicava diretamente com o exterior por meio de uma barbacã. Junto á entrada Sul que dá acesso para o recinto amuralhado, este estava protegido por uma imponente torre de menagem de planta quadrada e um baluarte baixo ameado, ambos destruídos pelo terramoto de 1755.

     A «Cerca da Vila» estava rematada por merlões e dispunha de duas entradas, uma virada a poente, que funciona no presente como entrada única para o recinto (Porta da Vila), e outra a norte, hoje entaipada (Porta Mar).

  No século XIV foi construída a Igreja Matriz de Santiago, que ruiu com o terramoto de 1755, e no século XVI a Igreja da Misericórdia. Também neste período configurou-se ao Castelo uma forma ovoide, de modo a adaptá-lo ao armamento de fogo.

     Entre 1640 e 1668, anos que marcam o período da Restauração, construiu-se a «Cerca Seiscentista» que ligava o Castelo ao Forte de São Sebastião; foram destruídos os merlões para se construírem dois baluartes (Baluarte da Porta da Vila e o Baluarte Malpique) e a Bateria de Nª Sª dos Mártires. No interior construiu-se a casa do governador, os quarteis para as guarnições, as cavalarias e o paiol.

     Por ter "Castello muy forte, a que a disposição do lugar faz muy defensavel ue ha na frontaria dos ditos inimigos" Castro Marim acolheu, por Bula decretada pelo Papa João XXI a 14 de Março de 1319, a primeira sede da Ordem de Cristo. Este ficou sediada na Igreja Matriz de Santiago até 1356, ano da transferência para Tomar.

Rita Dias Esteves, 2020

Bibliografia especifica

  • ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, página 191-92. Lisboa: Reader’s Digest, 2º Edição, 1982.

  • CAVACO, Hugo, Castro Marim Quinhentista: Foral Novo (de 1504) e o Tombo da Comenda (de 1509), VRSA: Edição da Câmara Municipal de Castro Marim, 2000

  • CAVACO, Hugo, ‘Visitações’ da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio. VRSA: Edição da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, 1987

  • COUTINHO, Valdemar, Castelo, Fortalezas e Torres da Região do Algarve. Faro: Algarve em Foco editora, 1997.

  • MAGALHÃES, Nartécia, Algarve – Castelos, Cercas e Fortalezas (As muralhas como Património Histórico). Faro: Letras Várias – Edições e Arte, 2008

  • MONTEIRO, João Gouveia, Os castelo Portugueses dos Finais da Idade Média: presença, perfil, conservação, vigilância e comandos. Lisboa: Edições Colibri, 1999

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