CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO

     Conforme nos é documentado nas Visitações da Ordem de Santiago de 1565, na colina sobranceira ao Castelo existia uma ermida inacabada datada de meados do século XVI. O facto desta colina ser  uma forte ameaça à segurança do Castelo, e de a população que se encontrava fora das muralhas estar desprotegida, o monarca decidiu  construir um Forte de invocação a São Sebastião, onde se encontrava a referida ermida.

     D. João IV, não querendo privar os castromarinense de um templo mandou, em 1650, construir uma Capela com a mesma invocação. Esta informação pode-se confirmar através da inscrição gravada no lintel do portal principal. Neste novo templo instalou-se a Confraria da Misericórdia.

     De estilo maneirista e oitocentista, a Capela de São Sebastião, de planta longitudinal, é composta por nave única, capela-mor, sacristia e casa mortuária.

     

     A nave principal, pavimentada com tijoleira, é coberta por uma abóbada de berço falsa assente numa cornija e preenchida por elementos arquitetónicos desenhados e almofadados a imitar pedra que rodeiam o escudo real. As paredes, também decoradas com pinturas a têmpera na técnica do trompe I’oeil, apresentam apainelados com marmoreados fingidos emoldurados por motivos fitomórficos e drapeados fingidos pintados a vermelho.

     No lado esquerdo da nave surge um púlpito e um nicho. O púlpito, de guarda hexagonal que contem nas suas faces placas verticais de mármore fingido, é acedido por uma escada e coroado por um baldaquino com uma imagem do Espírito Santo. O nicho, cuja parede fundeira apresenta uma vista panorâmica de Jerusalém pintada, é enquadrado por um arco de volta perfeita decorado por motivos fitomórficos relevados, marmoreados fingido no intradorso e uma cartela com a representação da coroa de espinhos e os pregos relevados no fecho. No lado direito abre se uma porta que dá acesso para o exterior.   

     O arco triunfal, de volta perfeita e decorado de igual forma ao nicho, é sobrepujado por uma cartela e por duas urnas, uma de cada lado. A cartela, que é coroada e rodeada por dois anjos que seguram festões, contem os atributos do orago – as setas. Este é ladeado por dois altares laterais idênticos entre si, colocados em ângulo.  

     A Capela-mor, de planta quadrada, é coberta também por uma abóbada de berço falsa e apresenta paredes e tetos pintados de igual forma à nave. Na parede principal encontra-se pintado um retábulo de estilo rustico e arcaizante com a representação de São João Batista com uma águia do lado esquerdo, e de São Marcos com um leão do lado direito. Ao centro encontra-se uma estátua de São Sebastião.     

     Exteriormente caracteriza-se pela sua simplicidade. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, com uma pequena faixa cinzenta clara na parte inferior das mesmas.

      A fachada principal termina em empena ligeiramente curva e é coroada por uma cruz de ferro. Esta é rasgada por uma porta de arco reto encimada por um friso e uma cornija, por duas janelas pequenas retangulares, e por um vitral onde está representado São Sebastião. Destaca-se um silhar com a representação de uma cruz latina de pedra em baixo relevo, cinco mísulas de cantaria que servia para prender um toldo e sineira em arco de volta perfeita sobre pilares, albergando o sino, e terminada em perfil curvo.     

     Devido ao estado de degradação avançado das pinturas murais, a Santa Casa da Misericórdia de Castro Marim pediu que se fizessem obras de conservação e restauro. Foram realizados tratamentos de limpeza, dessalinização, fixação e consolidação de pintura, tendo sempre em conta a autenticidade das pinturas e respeitando o original.

     Por esta altura, o retábulo original da capela-mor, foi trasladado para a casa mortuária. Este retábulo, feito de madeira e que data do século XVII, embora tenha sido refeito no século XIX, é composto pelo banco do altar paralelepipédico com o frontal seccionado em três painéis pintados com marmoreados fingidos e com motivos fitomórficos relevados e pelo conjunto de pinturas onde figuram 6 santos e uma virgem que rodeiam o nicho destinado á figura de São Sebastião.

Rita Dias Esteves, 2020

Bibliografia Específica:

  • MOREIRA, Maria da Conceição, “Povoamento, Construção. Habitação” in Apontamentos Históricos sobre Castro Marim. Lisboa: Secretaria do Estado do Ordenamento e Ambiente (serviço nacional de parques, reservas e património paisagístico), 1978.

  • CAVACO, Hugo, ‘Visitações’ da Ordem de Santiago no Sotavento Algarvio. VRSA: Edição da Câmara Municipal de Viça Real de Santo António, 1987

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